A
maioria das pessoas passa hoje a vida
correndo de um lado para outro. Estamos em constante movimento e esperamos que
tudo e todos que nos cercam também andem depressa. Qualquer ritmo mais lento
nos deixa exasperados. Sofremos “doença da pressa “.
Sei
que a tenho. Não consigo suportar o tempo que o meu computador leva para ligar,
se demora mais de dois minutos, fico absolutamente tensa e me descubro com o
maxilar cerrado e o corpo contraído. Sou aquele tipo de pessoa que aperta o botão
do elevador mais de uma vez para fazê-lo vir mais depressa e as vezes faço
minhas refeições correndo para não perder tempo. Quando estou numa fila meu
monólogo interior começa mais ou menos assim “como odeio filas! Por que eles
não colocam mais ajudantes aqui? “ (resmungo.) Um minuto se passa e mais resmungos e por ai vai até a hora de
se atendida.
Outro
nome para doença da pressa é a impaciência, e estou certa que não sou a única
pessoa que a possui. A fúria no trânsito, a violência de todos os tipos, as
explosões de raiva no trabalho, o divorcio, os gritos com os filhos...todos
esses comportamentos podem estar relacionados, pelo menos em parte, à falta de
paciência.
Na
verdade, parece que quanto mais depressa tudo anda, mais impacientes ficamos.
Isso se torna um problema, porque a vida inevitavelmente nos impõe certo grau
de atraso sob a forma de filas, engarrafamentos e sistemas de mensagens
automatizadas. O problema fica mais grave se pensarmos que os desafios mais
complexos – doenças, incapacitação, conflitos de relacionamentos, crises no
trabalho, assuntos ligados às função paterna e materna, construção da
convivência no casamento, exigem que pratiquemos a paciência não apenas para
enfrentá-los, mas para adquirirmos mais amor e sabedoria.
Sem
paciência não podemos aprender as lições que a vida nos ensina e não
conseguimos amadurecer. Se quisermos viver de forma mais completa e intensa é
fundamental praticarmos a paciência – paciência com nós mesmos, com as outras
pessoas e com as grandes e as pequenas circunstâncias da vida. Nós podemos
fazer isso porque a paciência é uma característica humana capaz de ser
fortalecida. Nós já a possuímos, pois a vida nos impõe uma série de situações
que nos obrigam queiramos ou não a ser pacientes, o que nos falta é ter
consciência do que nos ajuda a ser pacientes, do que provoca a nossa
impaciência ou do que fazer quando nossa paciência está no limite...
Fonte:
trecho do livro O poder da Paciência,M. J. Ryan – Editora Sextante

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