domingo, 21 de outubro de 2012

Para seduzir o povo, pão e circo





Começo esse texto com um trecho da carta do imperador Vespasiano (41 dc ) para seu filho Tito (79 dc ).

 "Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Ad captandum vulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo, pão e circo)."

Vespasiano faleceu um dia depois de ter escrito essa carta, e seu filho Tito seguindo os conselhos do pai inaugurou o Coliseu com cem dias de festa e se tornou um dos imperadores mais famoso e querido pelo povo de Roma. O que  mais impressiona é que algo que ocorreu a tantos anos atrás continua sendo prática ainda usada e aceitada nos dias atuais. A classe política tomou esse conselho como premissa para suas campanhas afim de conseguir chegar ao agrado do povo, que de tão alienado deixa se enganar com festas, futebol e novelas.

As pessoas não votam em boas propostas, votam nos que os alimentam com festas e pão, ignorando a saúde e a educação. As pessoas ainda votam pela simpatia ou beleza, votam no candidato que abraça e beija criancinhas e idosos, aclamam os que tem lábia, carisma e tem o poder da sedução através de sorrisos. A multidão é uma força sega que caminha simetricamente como gados rumo ao abatedouro, a pastagem um dia acabará e sobrará apenas aridez e a desolação. Desenvolvimento não se aplica a quantidade de obras realizadas nem ao número de festas e de cantores da moda trouxeram a região, desenvolvimento é o crescimento cultural e pessoal de cada cidadão.

Sei que do jeito que anda nossa educação esse tipo de situação perdurará por muito tempo, pois só através da educação é que conseguiremos formar cidadãos comprometidos e pensantes, que não fiquem como gado procurando sempre a melhor pastagem, mas fazendo com que todas as pastagens se tornem boas.

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